“Vou-me embora para Parságada”: o sonho de boa parte dos brasileiros"


Prof.ª Joyce Oliveira
Redação d'O Historiante


O que este belo poema de Manuel Bandeira diz sobre nós?  Fala sobre um paraíso, tema este muito recorrente no imaginário dos sujeitos históricos, mas hoje aponta, sobretudo uma sociedade raivosa em ebulição no Brasil. Em pleno 31/03/2015 no qual relembramos 51 anos do Golpe Militar, o projeto de redução da maioridade penal é aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. O que isto aponta? A princípio, pode-se dizer que é uma resposta às demandas populares que sentem que a Justiça de nosso país não “pune” corretamente os meliantes. Mas como eu disse, só a primeira vista.

Dica Cultural- Um Rio Surreal...


Fernanda Moreira
Redação d'O Historiante

A cidade desespero, o Rio 40°, a cidade maravilhosa, "o purgatório da beleza e do caos"... E, pelo andar dos últimos acontecimentos, a cidade do surreal... o Rio de Janeiro recebeu no dia 30 de maio, no Centro Cultural Banco do Brasil, a exposição Salvador Dalí. Sendo assim, até o dia 20 de setembro, passear pelas salas do CCBB será um momento único para ver de perto e apreciar 150 obras do famoso pintor catalão. Consagrado pelos trabalhos elaborados no período surrealista, a exposição extrapola esse limite e apresenta diferentes fases do artista. Na verdade, como descrevem os curadores, a ideia é  "mostrar o Dalí surrealista, mas também aquele que se antecipa ao seu tempo, que é audacioso, que defende a liberdade de imaginação do artista em sua própria criação”. A exposição é um passeio pela vida e obra do pintor, aliás, é uma retrospectiva que explora a criação e as diferentes fases de Dalí - mesmo dando uma ênfase maior ao período surrealista do artista. 

Greve é um direito Fundamental!


                 

Nos últimos meses temos assistido no Brasil a um pipocar de greves por todo o país e a resposta dos governos, ao invés de negociação, tem sido um ataque generalizado a esse legítimo direito. Estamos vivendo um momento de cooptação de poderes como jamais visto na história deste país. Rasgam a Carta Magna sem cerimônias e tudo se resume ao avanço desenfreado da privatização de todos os serviços públicos em nome de grandes desvios de verbas e inimagináveis alianças politicas.


A verdade é que os direitos dos cidadãos a cada dia mais estão sendo vilipendiadosMilitarização nas favelas, genocídio, gentrificação, perseguição política, tortura e pressão aos ativistas, expulsão de índios de suas terras centenárias e a frequente judicialização das greves. Trabalhadores são ameaçados de demissão, sendo o caso dos metroviários o mais recente e com maior repercussão, mas não o único. Como podemos verificar nas reportagens destacadas abaixo:

Querem que eu torça...


Aline Martins
Redação d'O Historiante.


Nessa Copa tenho me recusado a torcer pela seleção brasileira, também não torço contra. Simplesmente não torço. Procuro ignorar as partidas.
Creio mesmo que a última Copa pela qual torci pela seleção, me emocionei e vibrei de verdade foi a de 1994. Tinha então 14 anos à época.
Alguns amigos e familiares estranham, me questionam, me cobram.
Querem que eu torça...

As festas de Junho no "Brazil", não são da Copa: Viva São João!!!!

Tatiane Duarte
Da Redação d´O Historiante


 "A pregação de São João Batista", de Francesco Ubertini Bacchiacca

Pula a fogueira de São João!

"Em toda a Europa os camponeses têm, desde tempos imemoriais, o costume de acender fogueiras em certos dias do ano e dançar e saltar à volta delas. Costumes desse tipo podem remontar, segundo as evidências históricas, à Idade Média, e sua analogia com costumes semelhantes observados na Antiguidade contribui, com forte coerência interna, para provar que sua origem deve ser procurada num período muito anterior à difusão do cristianismo. Na verdade, a mais antiga prova de sua ocorrência no norte da Europa nos é proporcionada pelas tentativas feitas pelos sínodos cristãos, no século VIII, para acabar com esses costumes, sob a alegação de que eram ritos pagãos. [...]. Mas a época em que geralmente essas festas dos fogos eram realizadas em toda a Europa é o solstício de verão, isto é, a véspera do solstício (23 de junho) ou o próprio dia do solstício (24 de junho). O solstício de verão é o grande momento na carreira do sol, quando, depois de ir subindo dia a dia, cada vez mais alto no céu, ele pára e, a partir de então, faz de volta o caminho celeste que havia  trilhado. Esse momento não podia ser visto senão com preocupação pelo homem primitivo. As fogueiras do solstício de verão existiram em toda essa região do globo, desde a Irlanda, no oeste, até a Rússia, no leste, e da Noruega e da Suécia, no norte, até a Espanha e a Grécia, no sul. Segundo um autor medieval, as três grandes características da comemoração do Solstício de Verão eram as fogueiras, a procissão com tochas pelos campos e o costume de fazer girar uma roda. [...]. Embora   se possa considerar  como  certa  a  origem  pagã  do costume, a Igreja Católica lançou sobre ele um véu   cristão, declarando ousadamente que as fogueiras eram acesas em sinal do regozijo geral pelo nascimento do Batista, que oportunamente veio ao mundo no solstício de verão, exatamente como fez seu grande sucessor,  no solstício de inverno, de modo que se podia afirmar que todo o ano girava em torno desses dois eixos dourados dos dois grandes aniversários" (FRAZER, 1890, s/p)

Em Junho o que o Brasil sedia mesmo são as festas populares juninas, especialmente na região Nordeste. Quadrilhas, quermesses, pau-de-sebo, correio elegante (ou do amor), casamento, balões, brincadeiras, quentões, bandeirinhas, fogueiras. Qual a história desta festividade que expressa a cultura popular brasileira e marca o calendário anual do país. com ou sem Copa do Mundo?

A hora e a vez de Carolina Maria de Jesus: Um centenário de histórias




Fernanda Moreira
Redação d'O Historiante

"Eu disse: O meu sonho é escrever! Responde o branco: Ela é louca. O que as negras devem fazer... É ir pro tanque lavar roupa."

 "As oito e meia eu já estava na favela respirando o odor dos excrementos que mescla com o barro podre. Quanto estou na cidade tenho a impressão que estou na sala de visitas com seus lustres de cristais, seus tapetes de viludos, almofadas de sitim. E quando estou na favela tenho a impressão que sou um objeto fora de uso, digno de estar num quarto de despejo."

Em 1960, o Brasil e o mundo conheciam Carolina Maria de Jesus. A "escritora favelada", a escritora "vira-lata" e tantas outras alcunhas que marcaram o lançamento de "Quarto de Despejo", obra que abria o caminho para uma série de livros publicados pela autora. Esse ano comemoramos o centenário de seu nascimento e nada melhor do que falar um pouco da vida e do trabalho desta escritora. Silenciada, por vezes, pela história dos "grandes homens" ou sentenciada (apenas) sob o rótulo da escritora pobre e negra que conseguiu contar as suas mazelas, Carolina está além. É certo que não podemos esquecer do seu lugar e de seu discurso. Mulher, negra, pobre, mãe solteira, com pouquíssimo estudo, migrante, moradora de favela, doméstica e catadora de papel. Compositora, cantora e escritora. 

Tenda dos Milagres.


Tenda dos Milagres, segundo romance de Jorge Amado, publicado em 1969, é um grito contra o preconceito racial e religioso. Uma obra em que o diálogo com as teorias da identidade nacional é explorado em sua máxima potência. O autor apresenta a violência dos brancos diante de rituais de origem africana, e oferece o ingresso para um outro mundo, onde há a mistura não só de raças, mas também de religiões. 



Esta obra segue a linha típica dos romances de Jorge Amado tendo a cidade de Salvador como cenário e com personagens bem complexos. O livronarra a história de Pedro Archanjo e sua luta pela afirmação da cultura popular. O candomblé, a capoeira e as festas populares da Bahia fazem parte do universo de Pedro Archanjo, um mestiço , intelectual autodidata, sem formação acadêmica, mas forjado pela vida, pela vivência das ruas, pelo convívio com seu povo.

Malandro que transita entre teorias populares e eruditas. Ele é também o mentor da Tenda dos Milagres, uma casa de saber, uma oficina de impressão, uma casa de espetáculos, enfim uma quase universidade popular assentada na ladeira do Tabuão. Um místico, envolvido e digno representante do sincretismo religioso da Bahia, mas ao mesmo tempo uma inteligência racional a serviço de uma causa: a defesa da mestiçagem das raças como elemento de combate ao racismo e a elevação da cultura negra. Bedel da Faculdade de Medicina da Bahia, se converte em estudioso apaixonado de sua gente, publicando livros sobre a mestiçagem genética e os sincretismos simbólicos do povo baiano.  

Pedro é descrito como Ojuobá, ou "olhos de Xangô", pai do povo deserdado da Bahia, dos negros, dos mestiços, da gente pobre. Rei do terreiro, dos afoxés, chamego das mulheres, amigo dos seus pares, confidente e conselheiro de quantos o procuram. Capoeirista, mestre Archanjo, como também era conhecido, tocava viola, era bom de cachaça e pai de muitas crianças com as mais lindas negras, mulatas e brancas. No romance, ele percorre as ladeiras de Salvador e recolhe dados sobre o conhecimento dos negros africanos e sua cultura.  Ele continua frequentando os terreiros mesmo depois que deixa de acreditar nos orixás. Tudo para não deixar esmorecer o ânimo dos perseguidos e evitar o triunfo da polícia e da elite racista.

Pedro Archanjo é também o amigo fiel, capaz de abdicar em favor do mestre Lídio Corró, de Rosa de Oxalá, o amor de sua vida. A negra Rosa, mulher para muita competência, conforme descreve o autor. Paixão sublimada, mas insuficiente para impedir que Pedro seja um homem de muitos amores, como confirmam Kirsi, Sabina, Rosália, Dedé e tantas outras que ficaram pelas ladeiras de sua memória.
A obra relata também a chegada de um estrangeiro ao Brasil, cujo propósito era conhecer a terra de Pedro Archanjo, autor de tantos livros que ele admirava. Provoca alvoroço as declarações do estrangeiro, suficiente para pôr toda a imprensa na busca de informações sobre tão afortunado personagem. Que logo se torna objeto de estudo dos eruditos de plantão e foco de inúmeras homenagens de políticos oportunistas. Nessa passagem é possível observar a ironia do autor ao registrar nossa cultura colonizada, tão suscetível aos arroubos de qualquer olhar estrangeiro.
Tenda dos Milagres, além de ser um livro de saborosa leitura, é um louvor ao povo brasileiro, fruto da miscigenação, da mistura de cores, de fusões e incorporações culturais. Como afirma Pedro Archanjo, em uma passagem do livro: "É mestiça a face do povo brasileiro e é mestiça a sua cultura".


Uma carta indignada a um Meritíssimo Juiz (e também para muitos outros): Vocês não passarão sobre nós!

Tatiane Duarte
Umbandista
Antropóloga
Cidadã
Da Redação d´O Historiante
  



Explicito aos leitores o motivo desta carta indignada. O babalorixá Marcio Jagun abriu uma denúncia no Ministério Público pedindo a retirada de vídeos da internet por conta de seus conteúdos ofensivos às crenças de matriz africana e por incitação à violência, no caso, invasão de terreiros. Em resposta, o Meritíssimo Juiz, a quem escrevo esta carta, afirmou que  “as manifestações religiosas afro-brasileiras não se constituem em religiões”, pois, não possuem um texto base, uma estrutura hierárquica e um Deus a ser venerado. Logo, não poderiam reivindicar direito a proteção do Estado para exercer sua expressão religiosa. Por certo, a Procuradoria da República entrou com recurso contra a decisão pedindo a suspensão da circulação dos vídeos e reafirmando o caráter discriminatório da sentença e que também desampara legalmente os praticante da umbanda e do candomblé (Vejam em http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2014/05/lideres-do-candomble-e-da-umbanda-temem-violencia-apos-decisao-de-juiz.html)

Quando soube que o Meritíssimo Juiz da 17a Vara da Justiça Federal do Rio de Janeiro Eugênio Rosa de Araújo deferiu que a umbanda e o candomblé não possuíam traços de RELIGIÃO, senti um ódio mortal. Ódio de tantas arbitrariedades, de tantas violências, ódio. É ódio que estes representantes (agora no Judiciário) de uma fé cega e burra desejam produzir em nós. Eu não quero mais sentir ódio, minha RELIGIÃO prega amor e caridade ao próximo, amor em sua forma mais ampla, irrestrita e sublime. Por isso, eu vos digo: os amo senhores donos da RELIGIÃO porque é desamor o que vocês tem pra dar. Que Deus tenha piedade de vossas almas cheias de rancor...

Mas, se resigno como RELIGIOSA, não me calarei como antropóloga e como cidadã. Não assistirei o direito democrático de exercer minha RELIGIÃO de forma livre e sem sofrer quaisquer discriminações se desfazer. Chega de evangélicos invadindo nossos terreiros, quebrando nossas imagens. Eu nem desejo saber a quem este Meritíssimo serve (pois, não é a Justiça) para ter cometido um ato tão desastroso não apenas para nós umbandistas e candomblecistas, mas para toda a Nação. Uma Nação que adora se dizer plural, mas que vem se mostrando cada dia mais unicolor, assim, vamos colorir esta Nação contra estes discursos de ódio e preconceitos! 

Vamos à Justiça cada vez mais irmãos contra estes atos! Nós, povo do santo temos que nos mobilizar e nos politizar, não podemos mais nos silenciar diante de tantos atos de discriminação. Toquemos nossos atabaques, cantemos nossos pontos! Façamos nossa giras! Batamos nossas cabeças no congá! Que Xangô nos dê Justiça, que Olorun nos defenda de tanto mal!!  Pois agora, temos que enfrentar aqueles que deveriam nos defender, que nos unamos contra representantes da (in)justiça, pois, este Juiz feriu pactos internacionais, Estatuto da Igualdade Racial e até a nossa Constituição. Ora, não basta sermos perseguidos, discriminados, violados todos os dias, estamos submetidos a sentença de um Juiz que parece não saber nem de Justiça muito menos o que é religião. 

Por isso, vou falar de respeito à diversidade e sobre a consciência cidadã, que devemos ainda formar neste país. A liberdade de expressão não é algo absoluto. Se, quaisquer representantes e adeptos de outras religiões afirmam em vídeo que tem o direito (divino?) de invadir um terreno do sagrado do outro, seu direito de se expressar acaba, ele se torna violência e deve ser punido pelo Estado. 

Esta é a questão que devemos debater daqui para frente neste país: os limites dos conceitos democráticos. Pois, os direitos não são absolutos, eles devem ser ponderados quando se conflitam com outros direitos. No caso em questão é ainda mais grave, pois, ao invés de nos proteger de atos de violência, este Senhor nos deslegitimou enquanto sujeitos de direitos. E disse mais: apenas as grandes religiões, monoteístas, podem ser protegidas pela Lei deste país. Minorias religiosas, seitas, politeístas, pagãos, em breve, ateus, não possuirão mais direitos. Unam-se a eles, ou morram. Santa Inquisição!!

Para o nosso bem, alguns representantes de outras religiões vieram a público para condenar a atitude do magistrado e se dispondo a participar de atos em defesa da legalidade jurídica e religiosa das religiões afro. (Vejam em http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2014-05-17/decisao-da-justica-sobre-cultos-afro-brasileiros-surpreende-ate-frei-e-pastor.html). Isso aponta para o discernimento de alguns líderes religiosos sobre a importância do respeito, da diversidade e da liberdade de crença, direitos fundamentais em uma democracia que tende ainda para um monismo em todas as áreas da vida humana. 

Vale frisar que a notícia somente ganhou destaque após as manifestações nas redes sociais. Por isso, faço dois apelos aos meus irmãos de fé e a todos os cidadãos deste país que creem ainda em um país DEMOCRÁTICO e PLURAL. O primeiro deles é para que assinem a petição "Justiça Federal: Reconheça a Umbanda e o Candomblé como religião" que tem como objetivo reverter a sentença que versa contra as religiões de matriz africana e alertar para seu ato discriminatório. É um ato cível importante. Assinem em https://secure.avaaz.org/po/petition/Justica_Federal_Reconheca_a_Umbanda_e_o_Candomble_como_religi

Em segundo lugar, peço aos que estão no Rio que participem do “Ato em Solidariedade às Religiões de Matriz Africana”, que ocorrerá no dia 21 de maio às 17h, em local ainda a ser definido. E divulguem em suas redes. Vamos fazer uma corrente do bem, um clamor pelos direitos democráticos e um viva à diversidade religiosa!!!




Sugiro também para aqueles que ainda têm dúvidas sobre nossas tradições, que estudem, pesquisem, leiam, conheçam!!! Achismos e ignorância nos levam não apenas ao etnocentrismo, mas aos fundamentalismos torpes! Para uma introdução ao assunto, veja: http://www.pierreverger.org/fpv/index.php/br/pierre-fatumbi-verger/sua-obra/bibliografia-detalhada/23-non-categorise/br-pierre-fatumbi-verger/br-sua-obra/br-bibliografia-detalhada/6-bibliografia-detalhada). 


Perdoai-vos, eles sabem BEM o que fazem....


Resposta de um professor bem acordado.

Texto enviado a nossa redação pelo Prof. Ms. Jorge Luiz Monteiro Peçanha em resposta a coluna de Gustavo Ioschpe (Revista VEJA) intitulada: "Professores, acordem!" que pode ser consultada no seguinte link:  
http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/professores-acordem?utm_source=redesabril_veja&utm_medium=twitter&utm_campaign=redesabril_veja&utm_content=feed&



Caro Senhor Gustavo,


Quem faz o discurso de que nossa luta é apenas por salários são vocês, mídia vendida a um projeto muito claro de educação: PRIVATIZAÇÃO. Sugiro que o senhor se informe melhor sobre a imensa pauta de reivindicações de nossa categoria e que vá visitar às escolas, e ver com os próprios olhos, o nível de precariedade das mesmas antes de falar e defender, com tanta veemência , coisas das quais não tem ciência.

Resolvi mais uma vez aderir a greve e a última coisa que pleiteio é o aumento de salário. Recentemente terminei o mestrado e sem um plano de carreira decente o único incentivo que consegui foi um aumento de cerca de 200 reais, portanto percebo que um plano de carreira justo, equiparado a um plano de carreira federal deveria encabeçar as negociações visando realmente qualificar os profissionais da educação. 

O professor que hoje tenta se especializar com um curso Latu ou Strictu Sensu encontra mais empecilhos que motivações nas esferas públicas de ensino que hipocritamente insistem em falar em meritocracia. Mérito real implica em qualificar o professor para que este se aperfeiçoe e desempenhe seu ofício de forma mais eficaz. A meritocracia da forma como é feita no Rio de Janeiro e em outros estados do país, apenas mascara um modelo sujo de educação que transforma alunos em estatísticas para fazer com que nossos digníssimos governantes mostrem números enganosos para os bancos mundiais.

Tente dar uma aula para uma turma de 40, 50 alunos onde mais ou menos 30 não sabem ler e escrever de forma adequada. E a cada ano ano somos forçados a aprovar o maior quantitativo possível de alunos semianalfabetos com o intuito de mascarar a completa falência de nosso sistema educacional, implementando um neoliberalismo burro, que ao invés de estudar as particularidades e idiossincrasias de um país de dimensões continentais como o Brasil, insiste em fazer comparações simplistas com outros países que tem realidades e epistemologias próprias e que, por mais que coincidam com alguns aspectos das realidades brasileiras, não servem como paralelo exato do que acontece dentro do nosso país.

Entro em greve agora porque, dentre muitas coisas, quero um plano de carreira justo, menos alunos por sala de aula (para que eu consiga realmente detectar os problemas apresentados por cada um), estrutura física nas escolas que me permita dar uma aula sem correr o risco de um pedaço do teto cair sobre minha cabeça, o fim desta forma de meritocracia que apenas transforma o professor em um mero peão dos interesses empresariais das grandes corporações que regem a forma de gestão lamentavelmente aplicada em nosso país.

O que eu realmente não preciso, enquanto professor, é da opinião de gente que não sabe o que é uma sala de aula, achando que pode julgar o papel dos profissionais de educação. Pitágoras costumava dizer: "Educai as crianças e não será necessário punir os homens". Sem educação de verdade, não há possibilidade de evolução pessoal e consequentemente as possibilidades de sucesso profissional também se limitarão. Bem, mas sempre há a marginalidade não é mesmo? (Ironia "Mode ON") Observe os níveis de violência, cada vez mais alarmantes no Rio de Janeiro. Como professor, creio que tenho uma responsabilidade social e por isso faço GREVE!

Jorge Luiz, presente!

Jorge Luiz Monteiro Peçanha
Mestre em Literaturas de Língua Inglesa pela UERJ
Professor das Redes Estadual e Municipal do Rio de Janeiro e da Cultura Inglesa.

Música e ditadura militar


"Numa época em que a liberdade de expressão é cerceada, nada mais criativo que expressar desejos e anseios através da música. A Ditadura Militar que o Brasil viveu, entre os anos de 1964 e 1985, fez com que músicas se tornassem hinos e verdadeiros gritos de liberdade aos cidadãos oprimidos e sem possibilidade de se expressar como desejavam. Através de letras complexas e cheias de metáforas, elas traduziam tudo o que sentiam."

“Vou-me embora para Parságada”: o sonho de boa parte dos brasileiros"

Prof.ª Joyce Oliveira Redação d'O Historiante O que este belo poema de Manuel Bandeira diz sobre nós?  Fala sobre um paraíso...